sexta-feira, 10 de junho de 2011

Cadê Deni”zs”e?

Ele se aproximou, ela levantou os olhos. Bonito ele. Do tipo inacessível.

- Denize?

- Não.

- Seu nome não é Denize?

- Não. – A pausa do charme e ela completa. - Meu nome é Denise com “s”.

Ele fez para ela um olhar de quem estranha. Estranhamente lindo era ele.
- E como pode saber se o Denise que falei é com Z ou com S?

Ela sorriu inteligente.

- Pelo jeito que falou...

- Que jeito?

- O jeito oras... As Denises com “S” são mais soltas, safas, sinceras... E não foi como falou.

- Solteira? - Ousado ele.
- Talvez. - Vermelha ela.

- E as com “z”?

Ela olhos fundo dentro dos olhos pretos dele. Sentiu que fosse cair ali dentro mas, apesar do medo da altura, respondeu com firmeza.

- Zombeteiras...

- “Zacanas”?- Ele murmurou. Ela fingiu não entender.

Ela voltou a arrumar livros. Estavam numa biblioteca.

Tinha anos que ela procurava o amor da sua vida. Mas como não achara, resolveu estudar biblioteconomia que acabou por ocupar seu coração.

Mas era uma mulher, portanto curiosa em sua essência.

- E porque procura a... Denize?

Ele começou a ajudá-la com os livros. Quase por extinto.

- A cartomante disse que é o amor da minha vida.

- Mas ela disse com “z”?

- Não... Jogou as cartas e murmurou... Deni... Ze ou Se.

Ela conhecia a cartomante. Havia passado por lá uma vez. Saiu com a certeza que um homem surgiria, o grande amor de sua vida. César.

- Cesár? – Ela murmurou... Os olhos deles se iluminaram num sorriso.

Os dois se beijaram e a sua volta tudo se tornou um musical.

Um chafariz surgiu no meio da sala, fichas coloridas saiam das gavetas e voavam, uma linda canção de amor, e muitos, mas muitos bailarinos iam e vinham entre as estantes. Os dois flutuavam em passos jamais vistos como Ginger e Fred, Fred e Ginger. Uma coisa linda de se ver.

Ao fim do número Denise encarou seu amor e perguntou.

- Cézar com “z” ou César com “s”?

Anos mais tarde eles aprenderam.
O amor se escreve com qualquer letra que se
queira.






#Publicado originariamente no Blog www.zarayland.blogspot.com. Valeu Cezar pela inspiração :)

1 comentários:

Raiana Reis disse...

O amor... avesso à gramática, às previsões, às cartas marcadas. O amor - assim imprevisível, instigante... o que vem no melhor das suas horas. Letras? O amor usa até pseudônimos.

Lindo conto, Marlon. rss Beijo.

10 de junho de 2011 20:17

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